Edu Dracena explica bons números defensivos: “A gente tem jogado em bloco”

O Palmeiras não vive uma fase defensiva tão boa desde 2008. São seis jogos sem sofrer gols, sendo cinco deles na gestão de Luiz Felipe Scolari e sua comissão técnica. A marca impressiona na história recente não só pela distância da última vez em que a série foi alcançada, ainda sob o comando de Luxemburgo, mas também por acontecer justamente após a troca no comando técnico. Roger Machado deixou a equipe sem conseguir sequer uma sequência mínima de jogos sem sofrer gols nas últimas 13 partidas oficiais em que comandou o Palmeiras.

Embora a marca seja defensiva, o time todo tem méritos nesses números. Pelo menos é assim que pensa o experiente zagueiro Edu Dracena, que conversou de forma exclusiva com o Blog do Fragoso na saída do Pacaembu, após a vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, que garantiu ao Palmeiras a vaga na semifinal da Copa do Brasil. Confira abaixo o breve bate-papo com o defensor que pode ser considerado um dos líderes desse elenco alviverde.

Edu Dracena contra o Bahia (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

Fragoso: Palmeiras chega ao sexto gol seguido sem levar gol, algo que não acontecia desde 2008. A que se deve esse sucesso, já que, com exceção dos amistosos durante a pausa para a Copa do Mundo, o técnico Roger Machado não conseguiu nenhuma sequência sem gols nos seus últimos 13 jogos oficiais?

Edu Dracena:  A postura dos jogadores. O estilo do Luiz Felipe é diferente do estilo do Roger. Cada um tem a sua característica. O professor Luiz Felipe prioriza primeiro a marcação, depois a gente sai pra jogar com a qualidade que o elenco tem. Como eu sempre bato na tecla: nós não estamos tomando gol apenas por conta da defesa. Para a defesa não tomar gol, os jogadores da frente estão nos ajudando. E quando toma gol, não é só a defesa. Para o setor defensivo funcionar, o ofensivo ajuda. E para o ofensivo fazer gols, a defesa também precisa ajudar. O mérito é de todos. O Palmeiras está crescendo num momento importante.

Fragoso: Uma mudança bem clara do Roger para o Felipão está na utilização de pontas. Enquanto o antigo treinador preferia espetar, como se fala no futebol, jogadores de velocidade pelos lados, o atual treinador prefere escalar meias pelos lados, reforçando o meio-campo. Isso pode ter sido decisivo para a melhoria dos números defensivos do time?

Edu Dracena: A gente tem jogado em bloco, bem compacto. Isso acaba facilitando, porque se um adversário passa por alguém, já tem outro na cobertura, então não fica muito espaçado. Isso dificulta o adversário, o que não acontecia em alguns jogos no início do ano. Ele tem nos cobrado e os jogadores estão entendendo como ele gosta de jogar. Estamos vendo que sem a bola temos que ralar, temos que sofrer para que, quando recuperarmos a bola, com a qualidade que a gente tem, os jogadores passem as dificuldades para o adversário, criar jogadas e fazer os gols.

Fragoso: Para um zagueiro como você, qual o sentimento que fica de comentar uma marca defensiva tão importante na história recente e, principalmente, para esse elenco nessa nova fase com um novo treinador?

Edu Dracena: Para nós, é sempre bom demais. Mas é como eu sempre falo, os méritos são de todos. Com certeza nós, da defesa, ficamos muito felizes porque a nossa meta é não tomar gol e a gente está conseguindo fazer isso, independente de quem jogue ou não, os jogadores estão assimilando o que o professor Luiz Felipe Scolari gosta.

Anúncios

Quem elogiou o moderno Carille tem de elogiar o ultrapassado Scolari

Luiz Felipe Scolari na vitória sobre o Bahia (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

Tenho ouvido algumas críticas sobre o futebol apresentado pelo Palmeiras de Luiz Felipe Scolari, assim como tantas vezes ouvi (e rebati) no ano passado para o Corinthians de Fábio Carille. Pra começo de conversa, não há modelo pobre no futebol. Não há certo ou errado nesse esporte. Algum pensamento pode ser mais antigo, batido e outro menos badalado, comentado ou usado, mas nenhum desses adjetivos determina o sucesso ou o fracasso de um modelo de jogo aplicado a 30 atletas diferentes. Quem elogiou o moderno Fábio Carille (como eu sempre fiz) tem de elogiar o ultrapassado Scolari.

Resultado de imagem para Carille
Fábio Carille no Corinthians em 2017 (Foto: Getty Images)

Carille, considerado moderno, foi campeão brasileiro no ano passado pelo Corinthians apostando muitas vezes nas casquinhas de Jô, na roubada de bola com transição rápida para marcar gols e se defendendo com excelência para manter o zero do adversário no placar. Felipão, considerado ultrapassado, já usou as casquinhas de Deyverson, marcou poucos gols apostando na transição rápida e ainda não sabe o que é ver seu time ter as redes balançadas. Ambos usando o 4-2-3-1, que de novo não tem nada, já que ele já era utilizado por Telê Santana na Copa do Mundo de 1982 com Leandro, Oscar, Luizinho e Junior; Falcão e Toninho Cerezo; Sócrates, Zico e Éder, com Serginho Chulapa na frente.

Dito tudo isso, é preciso deixar claro que não há pobreza de jogo em querer resolver um jogada logo quando se tem a bola, em usar casquinhas depois de tiros de meta para iniciar a construção de uma jogada no campo de ataque ou cruzar na área quando se tem um alto cabeceador pronto para superar seus rivais na zona mais próxima possível do gol. É possível dizer que um estilo é bonito ou feio de se assistir, claro, mas não se pode chamar de pobre uma soma de ideias que faz um Corinthians conquistar um título brasileiro de pontos corridos ou um Palmeiras conquistar a vantagem de dois gols em um mata-mata de Libertadores fora de casa, uma classificação a semifinal da Copa do Brasil e uma sequência de seis jogos sem levar gols, o que não acontecia desde 2008.

EDUARDO, CUCA, ROGER, FELIPÃO E AS IDEIAS QUE DERAM RESULTADO MAIS RÁPIDO

Para uma equipe tornar-se competitiva, é fundamental que o treinador encaixe ideias que o elenco compreenda e aplique com naturalidade, o que por consequência eleva a confiança dos atletas e gera grande número de bons resultados. Esse Palmeiras de Luiz Felipe Scolari é completamente diferente dos últimos trabalhados por Eduardo Baptista, Cuca e Roger Machado. Não que eles estivessem errados em seus trabalhos, mas um precisaria de mais tempo para que sua ideia caísse no gosto do torcedor, outro não aparentava tanta motivação para se reinventar e um último não conseguiu tirar de seus comandados os resultados (principalmente defensivos) que se esperava. Cada soma de ideias exige seu próprio tempo para correções, evoluções e alcance dos objetivos, porém Luiz Felipe Scolari foi aquele que chegou mais próximo do que desejou construir com essa equipe no espaço mais curto de tempo.

O PALMEIRAS DAS QUARTAS DA COPA DO BRASIL FOI TÃO PERIGOSO QUANTO OS OUTROS CLASSIFICADOS PARA A FASE SEMIFINAL

Nas quartas de final da Copa do Brasil, o Palmeiras venceu por 1 a 0 a equipe do Bahia no placar agregado e alcançou a fase semifinal junto com Cruzeiro, Flamengo e Corinthians. O bom desempenho defensivo do time de Felipão aparece no momento em que se observa que o Palmeiras é a equipe que mais rebateu e interceptou bolas entre os quatro que avançaram das quartas de final do torneio. Entretanto, embora alguns julguem a equipe pouco perigosa, o time concluiu no alvo, ou seja, na direção do gol, as mesmas nove vezes que Corinthians e Cruzeiro, abaixo apenas do Flamengo, que acertou o gol dez vezes. Além disso, também é a equipe que mais acerta lançamentos (40 contra 33 do segundo colocado Cruzeiro) e cruzamentos (11 contra 7 do segundo colocado Corinthians).

O GOL DA VITÓRIA CONTRA O BAHIA NÃO É APENAS UM CRUZAMENTO

A assistência que deu ao Palmeiras a classificação para a semifinal da Copa do Brasil veio dos pés de Mayke, mas a construção de jogada teve início em Weverton, passando por todo o campo com bola no chão até culminar na tabela que virou cruzamento na cabeça de Dudu, como você pode conferir aqui nas minhas imagens em câmera aberta abaixo:

Concluindo, é preciso entender que há muitas formas de se conquistar um objetivo no futebol. Algumas somas de ideias trazem no gramado um jogo mais vistoso, outras geram um futebol mais objetivo. Independente daquelas que se escolhe implantar, a meta é sempre o resultado final. E se ele chega, não há o que discutir. Os erros que um técnico não pode cometer são simples: o primeiro é não estar convicto daquilo que entende ser o melhor para um grupo e o segundo é fechar os olhos para correções e ajustes que precisam ser feitos no decorrer do trabalho. Ah, sim! Antes que eu me esqueça, errado é aquele que rotula sem analisar e se debruça no senso comum. Quem elogiou o moderno Carille, que trate de elogiar o ultrapassado Felipão.

 

 

 

 

 

O início da Gestão Felipão e três grandes mudanças (até agora) notáveis

Luiz Felipe Scolari (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

Uma troca de técnicos tem de ser estimulada por uma mudança na base do trabalho que está sendo implementado, caso contrário a diretoria está apostando na vazia ideia da troca de nomes. Quando Roger Machado deixou o Palmeiras para Luiz Felipe Scolari assumir a equipe, essa ruptura aconteceu. Há quem diga que demissão e contratação de treinador não deve ser feita durante a temporada (e eu concordo), mas isso não impede que funcione, como foi com Aguirre no São Paulo e como está parecendo ser com Felipão no Palmeiras. Separei, portanto, três pontos importantes do trabalho realizado até agora para que você entenda o que está fazendo desse Palmeiras diferente daquele treinado pelo último comandante.

CONFIRA TRÊS MUDANÇAS NOTÁVEIS DA GESTÃO FELIPÃO:

  • DEFESA QUE NINGUÉM PASSA

O Palmeiras alcançou números muito positivos desde a saída de Roger Machado e a gestão de Luiz Felipe Scolari tem grande responsabilidade nisso, já que sua comissão esteve em campo em quatro dessas partidas. Em 44 jogos, o ex-treinador Roger só conseguiu uma sequência de cinco jogos sem sofrer gols no Paulistão, em março, contra São Paulo, Ituano, Novorizontino duas vezes e Santos. Nos últimos 13 jogos antes da pausa para a Copa do Mundo, por exemplo, o Palmeiras comandado por Roger Machado não conseguiu nem mesmo passar dois jogos seguidos sem sofrer gols. Um número maior de meio-campistas em campo é uma das explicações para a melhora.

  • O CENTROAVANTE É A REFERÊNCIA DO ATAQUE E DO TIME

Borja e Deyverson se tornaram peças centrais no novo estilo de jogo da equipe. A ruptura de ideias trouxe, por exemplo, a busca do time pela sua altura nas bolas brigadas pelo alto no campo de ataque quando o goleiro chuta o tiro de meta, assim como os laterais e meias também o procuram para realizar um pivô por baixo ou concluir um jogada pelo alto. Contra o Bahia, a equipe perdeu dois gols em chances criadas pelo alto com Deyverson, enquanto diante do Vasco, Martín Silva fez grande defesa em cabeçada do centroavante no 1º tempo e sofreu gol dele em cabeçada que veio depois da sua grande defesa em outra cabeçada de Hyoran. Por baixo, Borja fez no Paraguai o que se espera dele.

  • A AUSÊNCIA DE PONTAS E O AUMENTO DE MEIAS

Os pontas velocistas de Roger Machado não existem mais. A ideia de Felipão é ter meias pelos lados do campo, por isso Jean, Scarpa, Hyoran e Dudu estão surgindo nas escalações titulares jogando próximos dos meias e muitas vezes tabelando com os laterais de ofício. Com isso o Palmeiras ganha superioridade numérica na construção da sua jogada, aconteça ela pelo meio ou pelo lado do campo. Tanto que os meio-campistas se aproximam da lateral onde a bola está para ampliar ainda mais o número de opções de passe.

 

 

 

 

 

Após saída de Roger Machado, Palmeiras iguala melhor sequência defensiva do ano

Luiz Felipe Scolari tem boa marca a comemorar (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

Paraná, Bahia, América-MG, Cerro Porteño e Vasco da Gama não conseguiram balançar as redes do Palmeiras nos últimos cinco jogos da temporada por diferentes competições. Uma sequência como essa aconteceu apenas uma vez durante os 44 jogos do técnico Roger Machado a frente do Palmeiras em 2018, em partidas válidas pelo Campeonato Paulista no mês de março. A boa série envolveu vitórias contra São Paulo, Ituano, Novorizontino duas vezes e Santos.

A marca é importante e curiosa por ocorrer logo após a saída de Roger Machado, criticado justamente por treinar uma equipe que conseguia sair na frente, mas não sabia manter a vantagem no placar. Para se ter uma ideia, com exceção dos amistosos durante a Copa do Mundo, o Palmeiras treinado por Roger Machado passou 13 jogos sem conseguir uma série de dois jogos sem levar gols. A última sob o comando do ex-técnico aconteceu no fim de abril, quando o time venceu Internacional e Boca Juniors, além de empatar com a Chapecoense.

Na atual marca, o Palmeiras carrega vitórias contra Paraná e Vasco pelo Brasileirão, Cerro Porteño pela Libertadores e empates contra Bahia, pela Copa do Brasil, e América-MG também pelo Campeonato Brasileiro. Vale registrar que diante do Paraná a atual comissão técnica ainda não havia assumido o comando da equipe, embora já tivesse sido anunciada.

Os resultados da sequência podem ser considerados satisfatórios, já que a equipe não desperdiçou pontos dentro de casa, decidirá os confrontos de mata-mata dentro de casa em boas condições (vantagem de dois gols na Libertadores e placar igual na Copa do Brasil) e conquistou um ponto fora de casa utilizando reservas no duelo com o América-MG pelo Brasileirão.

Embora alguns possam considerar os adversários da série relativamente fracos, ainda que o Palmeiras tenha utilizado reservas contra América-MG e Vasco, a equipe de Roger Machado sofreu gols de adversários de nível parecido no Brasileirão, por exemplo, contra Sport, Ceará, Atlético-PR e o rival Santos, que apesar de tornar o confronto clássico, vive péssimo momento.

O próximo desafio da equipe pode fazer o Palmeiras alcançar a melhor marca do ano com seis partidas sem levar gols e caso isso aconteça, basta o ataque marcar uma vez para que os comandados de Luiz Felipe Scolari garantam vaga na semifinal da Copa do Brasil. Até mesmo um placar sem gols contra o Bahia, na próxima quinta-feira, no Pacaembu, pode dar a vaga, desde que o Palmeiras vença o duelo nas penalidades máximas.

 

EXCLUSIVO: Palmeiras acerta compra de Zé Rafael. Meia chega em janeiro ao clube

Zé Rafael chega em janeiro ao Palmeiras (Foto: Felipe Oliveira/Bahia)

O Palmeiras acertou o primeiro reforço do meio-campo para a temporada de 2019. O meio-campista Zé Rafael, que está no Bahia, chegará ao clube em janeiro do próximo ano para o elenco do técnico Luiz Felipe Scolari. De acordo com o que apurei, a diretoria alviverde exerceu sua preferência de compra no valor de 4 milhões de euros por volta de duas semanas atrás.

No empréstimo do meia Allione ao Tricolor, ainda em janeiro, ficou acertado que o Palmeiras poderia, durante dois anos, depositar o valor citado para contratar o atleta e caso alguma outra proposta chegasse, os diretores alviverdes teriam de ser informados. Caso julgassem interessante cobrir a oferta, poderiam depositar o mesmo valor e contratar o jogador.

O meia Zé Rafael acumula até agora 45 jogos em 2018 com 11 gols marcados pelo Bahia. Ele é o segundo reforço para a temporada de 2019. O atacante Arthur Cabral, do Ceará, também foi contratado nessa temporada e chega ao clube apenas em janeiro.

Conheça os três maiores perigos e os dois principais defeitos do Cerro Porteño-PAR

O Palmeiras volta a campo nessa quinta-feira para enfrentar o Cerro Porteño, no Paraguai, pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América. Analisei um pouco das quatro partidas do Cerro Porteño após a Copa do Mundo, diante de Independiente, Guaraní, Libertad e Sol de America, e identifiquei os três maiores perigos que ele oferece ao time de Felipão e os dois principais defeitos que podem ser explorados pela equipe alviverde.

  • PERIGO Nº 1: CHURÍN E SUA BOLA AÉREA
Resultado de imagem para diego churin
O perigoso centraovante Churín – Foto: Ultima Hora

O centroavante argentino do Cerro Porteño acumula 29 jogos e 13 gols marcados na temporada. Desde o retorno da Copa do Mundo, foram três gols em quatro partidas. Dois de cabeça e um em cruzamento rasteiro para a área. Ele quase balançou as redes outras três vezes em perigosos cabeceios nessa sequência de quatro jogos.

O centroavante não costuma aparecer muito fora da grande área, porém também foi utilizado nessa partidas para receber bolas altas da intermediária e, de cabeça, colocá-las no meio da grande área para que alguém conclua de frente para o gol. Seu 1,85 de altura faz toda a diferença nessas jogadas.

  • PERIGO Nº 2: RUIZ E SUAS INFILTRAÇÕES PELOS LADOS
Resultado de imagem para Óscar Ruiz Cerro
O rápido atacante Ruíz – Foto: Ultima Hora

O camisa 11 do Cerro Porteño joga muito próximo de Churín e aparece pelos lados em todo ataque da equipe paraguaia. Tem 5 gols em 15 jogos nesse ano, sendo que um deles foi marcado nessa série de quatro jogos após o Mundial, contra o Libertad, fugindo de sua especialidade, na bola aérea. Ele quase marcou mais duas vezes dessa mesma forma, aproveitando a preocupação dos zagueiros com Churín.

Embora ainda não tenha balançado as redes dessa forma, Óscar Ruiz foi muito perigoso ao infiltrar em quatro oportunidades para receber assistências em velocidade dentro da área e chutar livre de marcação, exigindo boas defesas dos goleiros. Enquanto o centroavante Churín é o homem da bola na área, Ruiz é o velocista que procura confundir a marcação adversária e aparecer tanto pelos lados quanto dentro da área.

  • PERIGO Nº 3: O CÉREBRO ROJAS
Imagem relacionada
O meio-campista Rodrigo Rojas – Foto: ABC Color

Nos últimos quatro jogos, Rodrigo Rojas foi fundamental na criação de boas jogadas para Ruiz e Churín. O camisa 8 costuma carregar a bola na intermediária e buscar a assistência para Ruiz ou um passe para a linha de fundo com o objetivo de ver a jogada terminar em cruzamento para Churín. Com bom toque na bola, Rojas também é o cara da bola parada do Cerro Porteño. Tanto nos escanteios quanto nas faltas, ele surge como a principal opção. Importante não confundi-lo com Roberto Rojas, lateral da equipe.

  • DEFEITO Nº 1: PASSIVIDADE DEFENSIVA FORA DA ÁREA

O goleiro Anthony Silva merece aplausos pelos bons jogos que tem feito e também pela confiança que recebeu de seus jogadores, afinal nos últimos quatro jogos os adversários conseguiram liberdade para arriscar chutes da intermediária. Tanto Silva quanto o travessão impediram que um gol adversário pintasse dessa forma. Pode ser um caminho para o Palmeiras, já que tem meio-campistas reconhecidamente calibrados no chute, como Scarpa, Lucas Lima e Bruno Henrique.

  • DEFEITO Nº 2: MARCAÇÃO DA BOLA AÉREA 

Os dois gols sofridos nesses últimos quatro jogos do Certo Porteño aconteceram em jogadas de bola aérea. Número baixo perto das oportunidades que deu aos adversários. Contra Guaraní, Libertad e Sol de America, foram seis erros claros em bolas lançadas na área que geraram dois gols e uma penalidade máxima desperdiçada. Em todas as oportunidades, defensores observavam apenas a bola e não acompanhavam a movimentação dos atacantes, o que gerava liberdade para a finalização. Contra o Bahia, Felipão insistiu em jogadas como essa com Deyverson e quase obteve êxito em algumas oportunidades. O jogador viajou para o Paraguai e pode ser utilizado para explorar essa fraqueza rival.

Em resumo, o Cerro Porteño deve explorar muito a altura de seu centroavante apostando na fórmula que tem dado certo nos últimos jogos, porém não se deve descuidar das infiltrações de Ruiz nas jogadas com bola no chão. Para tentar impedir que as jogadas cheguem no pés desses atacantes, uma atenção especial com Rodrigo Rojas pode ser fundamental. Em termos ofensivos, dependendo da situação de jogo, chutes de longa distância e bolas aéreas surgem com maior probabilidade de sucesso.

 

 

Em novo esquema contra o Bahia, Deyverson acumulou bons acertos e um grande erro

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Quando um jogador precisa recuperar moral, confiança e posição, a chance de iniciar um jogo merece uma atuação impecável. No empate por 0 a 0 contra o Bahia, o criticado Deyverson precisava mostrar a Paulo Turra, auxiliar de Felipão, que pode ser útil, já que o último treinador apenas o colocou na titularidade uma vez em 2018. Não deu.

O centroavante mostrou no 1º tempo como pode colaborar em campo. Foram sete participações diferentes em ataques do Palmeiras. Em diferentes momentos, ajudou com sua movimentação, seu posicionamento, com a cabeça (sua principal característica) e finalização. Descrevo abaixo cada lance:

  • 01′ de jogo – O Palmeiras roubou uma bola e avançou com Willian pela direita. Deyverson estava centralizado na intermediária, mas correu em diagonal para a direita, levando seu marcador e deixando espaço para Moisés receber no meio. O meia dominou e deu assistência para Dudu, que parou no goleiro Anderson, do Bahia.
  • 06′ de jogo – Deyverson recebe dois cruzamentos seguidos dos dois lados do campo. Nas duas disputas não consegue finalizar, mas está posicionado bem o suficiente para atrapalhá-lo. Caso o soco do arqueiro saísse errado, uma segunda bola poderia gerar um gol.
  • 15′ de jogo – Dudu cruza da esquerda e Deyverson acerta um voleio no contrapé do goleiro, mas erra por pouco a direção do gol.
  • 20′ de jogo – Cruzamento de Diogo Barbosa tem casquinha de Deyverson para o segundo pau, onde Bruno Henrique chuta forte e consegue escanteio no desvio do zagueiro.
  • 21′ de jogo – Escanteio na cabeça de Deyverson no segundo pau, que coloca a bola para dentro da área, mas Felipe Melo e Antônio Carlos desperdiçam a chance de abrir o placar.
  • 25′ de jogo – Virada de jogo do lateral Diogo Barbosa encontra Marcos Rocha livre, que cruza para Deyverson finalizar na área, mas o chute é bloqueado pelo zagueiro e o Palmeiras ganha escanteio.
  • 29′ de jogo – Marcos Rocha lança a bola próximo da entrada da área e Deyverson cabeceia para fora.

No segundo tempo, o Palmeiras pouco conseguiu criar e por conta disso Deyverson quase não apareceu. A culpa não era sua, já que o meio-campo alviverde que perdia o duelo com o meio-campo tricolor. Porém, nos minutos finais do tempo regulamentar, Deyverson errou feio. Soltou o braço no rosto de Mena e recebeu o cartão vermelho que tirou a chance de uma segunda oportunidade como titular no próximo jogo da Copa do Brasil, independente da condição de final de Borja na data.

O choro na saída do gramado vem de alguém que quer se provar útil ao novo técnico, mas precisa aproveitar as oportunidades por completo para isso. Um jovem centroavante de Copa do Mundo era titular e certamente quer voltar melhor do que deixou o time antes do Mundial da Rússia. Um jogo mais de Deyverson seria importante para que fosse possível ganhar ritmo, entrosar e conseguir com que uma movimentação ou uma cabeçada mexesse no placar, como mexeu contra o Atlético-MG, ainda sob o comando de Roger Machado. Quem tirou mais uma oportunidade de Deyverson, mesmo que daqui algumas semanas, foi ele mesmo.

Palmeiras diferente vence com menos bolas de lado e mais bolas para frente

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

O torcedor palmeirense se identificou com o que viu nesse domingo no Allianz Parque. A euforia e os aplausos após os 90 minutos permitem essa conclusão. O 3 a 0 diante do Paraná sob o comando do técnico interino Wesley Carvalho mostrou alguns atributos que o torcedor queria ver nos tempos de Roger Machado:

  1. Ideias novas no time titular
  2. Vontade de ampliar o placar transformada em gol
  3. Resultado elástico

– IDEIAS NOVAS NO TIME TITULAR

A entrada da joia da base Artur mexeu com o torcedor logo no anúncio da escalação, que vibrou com a novidade. Pela direita, o jogador tem características parecidas com aquelas de Keno, o último titular da posição, e bem diferentes de Scarpa, que não se destacou por ali desde o retorno da Copa do Mundo. Questionei o próprio Artur ao fim da partida se ele poderia ser considerado o “novo Keno” e recebi em resposta um sorriso e as palavras de que o futebol pode ser considerado parecido.

O resultado do jogador foi a demonstração de uma velocidade impressionante pelo lado do campo, desejo incessante de buscar a bola, vindo ela de uma roubada ou de um passe, além de bons dribles e arremates. Tão bons que um deles gerou o rebote que valeu o segundo gol de Bruno Henrique no jogo.

– VONTADE DE TRANSFORMAR O PLACAR TRANSFORMADA EM GOL

Roger Machado trabalhou durante toda a pausa da Copa do Mundo sob a responsabilidade de tornar o time forte o suficiente para não desperdiçar pontos como desperdiçou contra Botafogo, Ceará e Flamengo, quando a equipe saiu na frente, mas não conseguiu sustentar a vantagem. Após o Mundial, nova frustração para a torcida diante do Santos. Contra o Galo a situação só não se repetiu por conta de um gol no último minuto da partida. Diante disso, a derrota para o Fluminense decretou o fim do ciclo de Roger.

Vale observarmos a diferença de comportamento da equipe nos três jogos que disputou antes do confronto com o Paraná e comparar com os números atingidos na vitória por 3 a 0 sobre o Tricolor.

  • Palmeiras 1 x 1 Santos – 49% de média de posse de bola. 366 passes certos e 46 errados. 8 finalizações certas e 5 erradas.

O time abriu o placar com seis minutos, deixou a bola com o Santos e desperdiçou diversas oportunidades de matar o jogo em contragolpes. No fim, levou gol em bola aérea e desperdiçou três pontos em um clássico disputado fora de casa.

  • Palmeiras 3 x 2 Atlético-MG – 48% de média de posse de bola. 317 passes certos e 42 errados. 5 finalizações certas e 4 erradas.

Contra o Atlético-MG, mais uma vez abriu o placar nos minutos inicias da partida, mas não conseguiu administrar a vantagem que conseguiu abrir duas vezes durante o jogo. Precisou de um gol no último minuto para conquistar a vitória dentro de casa.

  • Fluminense 1 x 0 Palmeiras – 59% de média de posse de bola. 412 passes certos e 47 errados. 3 finalizações certas e 9 erradas.

Diante do Fluminense, obteve maior posse de bola por ter saído atrás no placar no fim do primeiro tempo. O adversário passou a jogar mais atrás na partida, porém o Palmeiras não conseguiu ter sucesso em 12 conclusões a gol nos 90 minutos.

  • Palmeiras 3 x 0 Paraná – 55% de média de posse de bola. 404 passes certos e 34 errados. 12 finalizações certas e 11 erradas.

Contra o Paraná, o Palmeiras abriu o placar na primeira etapa e não optou por esperar o Tricolor para contra-atacar, como foi diante de Santos e Atlético-MG. Assumiu a responsabilidade de construir uma vantagem maior e finalizou 23 vezes a gol. Foi o jogo em que o time mais concluiu em todo o Brasileirão. Ainda assim, trocou praticamente o mesmo número de passes do jogo em que perdeu para o Fluminense, quando ainda obteve maior posse de bola, mas finalizou praticamente a metade das vezes.

– RESULTADO ELÁSTICO

A insistência em bater no gol deu resultado, já que o time venceu por 3 a 0, fato que não acontecia desde a 6ª rodada do Brasileirão. Entretanto, naquela partida a equipe concluiu apenas 14 vezes, praticamente a metade, embora tenha encerrado a partida com média de 54% de posse de bola, praticamente a mesma do duelo diante do Paraná.

O QUE FEZ O TORCEDOR ENXERGAR ISSO?

O torcedor deixou o Allianz Parque com a sensação de que algo mudou. Na zona mista, Willian deu uma longa resposta para mim quando foi questionado sobre a mudança de postura que o presidente admitiu querer ao demitir Roger Machado. O resumo dela é que houve, sim, uma conversa interna com os atletas sobre o assunto.

Difícil imaginar que apenas dois dias de treinos com Wesley Carvalho possam ter mudado tanto o Palmeiras, embora certamente haja uma parcela de seu trabalho nisso. Esses três pontos observados pelo torcedor e analisados aqui podem ser o primeiro passo para que o técnico Felipão assuma uma equipe com a cara mais próxima daquilo que a arquibancada do Palmeiras gostaria de ver.

 

Entenda: Felipe Melo não foi responsável por falha em gol da derrota do Palmeiras

Todo duelo da Série A do Campeonato Brasileiro tem um grande estudo das duas equipes que se enfrentam. Todos observam os padrões de comportamento de cada um pelo menos nos três jogos anteriores ao enfrentamento, principalmente na bola parada. Cada movimento é analisado para que nada saia errado e, partindo desse princípio, dificilmente algum atleta estará “marcando nada” na grande área. Foi o que gerou dúvida no torcedor com relação ao posicionamento de Felipe Melo no gol da vitória do Fluminense por 1 a 0 sobre o Palmeiras no Maracanã.

Vale destacar que o próprio Felipe Melo sabia que a falha não foi sua e deixou isso claro na zona mista: “Me perguntaram sobre falha individual. Isso se resolve dentro do vestiário. Não vou falar de companheiro meu aqui”.

Vamos observar a jogada em três fotos para entendermos a marcação do Palmeiras em três importantes momentos:

1º – Separei em três círculos de diferentes cores como o Palmeiras se organizou para marcar esse cruzamento na área. A marcação parece acontecer por zona, ou seja, cada atleta defendendo um espaço pré-determinado dentro da área. 

MONTAGEM PALMEIRAS X FLUMINENSE

2º – Nenhum jogador do Fluminense recebe um bloqueio ou uma marcação individual. Todos avançam na área sem que um atleta do Palmeiras impeça, ou seja, Roger Machado pediu para que cada jogador defendesse um espaço. Porém, o lateral Gilberto não atacou a bola e aguardou um possível rebote. Quem estava mais próximo dele era Diogo Barbosa, que atacou o espaço, já que é impossível dizer que ele realizava marcação individual em Pedro, tendo em vista que nenhum jogador marca um homem na bola parada de longe ou correndo nas suas costas.

MONTAGEM PALMEIRAS X FLUMINENSE 2.png

3º – A jogada do Fluminense (certamente pré-determinada) funciona e Gilberto fica livre de marcação. Quando ela sobra para Gilberto finalizar, o volante Felipe Melo é o mais próximo dos três atletas do Palmeiras que marcavam um espaço que o cruzamento não atacou. Embora não fosse responsabilidade do camisa 30, ele tenta chegar em Gilberto para impedir o chute. Observando rapidamente o lance, muitos imaginam que Felipe Melo estava perdido na grande área, quando na verdade ele apenas cumpriu a sua função na bola parada e tentou evitar um gol por ser o mais próximo do rebote.

MONTAGEM PALMEIRAS X FLUMINENSE 3.png

Nenhum dos dois técnicos abordou o lance de forma específica para indicar o que cada um queria de seus comandados, por isso a única análise parte da observação do lance. Partindo dela, o posicionamento de Gilberto surpreendeu o treinamento da bola parada defensiva do Palmeiras e Diogo Barbosa falhou em não observar aquele que estava mais próximo dele. Embora marcasse zona, e possivelmente tivesse a obrigação de atacar o espaço do segundo pau, três palmeirenses estavam nessa bola.

A questão é que Diogo Barbosa precisaria definir se cumpria sua função ao atacar o espaço onde a bola se dirigia e colocava mais um homem em busca de superioridade numérica conseguindo uma chance maior de tirar a bola em um bate-rebate ou descumpriria a função que pareceu pré-determinada e fechava o espaço de Gilberto, que se posicionou para um rebote próximo da marca de penalidade. Tudo isso em menos de cinco segundos. O que podemos afirmar partindo das imagens e da análise delas sem a palavra dos técnicos é que Felipe Melo não foi o culpado na jogada.