“Nunca criticado”, Carlos Eduardo fez a diferença no Choque-Rei

CAPA 1
Foto: Reprodução Esporte Interativo/Blog do Fragoso

O Choque-Rei foi uma partida de dois tempos bem distintos. No primeiro deles, embora o Palmeiras tivesse posse de bola superior ao São Paulo, não soube usá-la e acabou sofrendo mais do que oferecendo perigo. O Tricolor incomodou pelo alto, nas bolas paradas e também nos contra-ataques, porém sem construir pelo meio. O time de Felipão basicamente não conseguiu atacar.

No segundo tempo, as mudanças de postura da marcação e de Carlos Eduardo por Borja fizeram a diferença para que os papeis se invertessem e o Palmeiras passasse a criar e controlar melhor o São Paulo. Contando com um camisa 37 inspirado como nunca, já que as primeiras atuações de Carlos Eduardo foram terríveis no ano, o time de Felipão conquistou a vitória no Pacaembu. Para visualizar e entender passo a passo o que expliquei nesse breve texto, assista a análise que produzi com lances da partida.

 

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Contra Melgar, Palmeiras pôde celebrar melhor noite de equilíbrio em 2019

O placar mais elástico do Palmeiras no ano não aconteceu por acaso. Vencer o Melgar no Allianz Parque estava no planejamento de Luiz Felipe Scolari, porém havia também mais um objetivo a ser cumprido: aumentar a eficiência do ataque palmeirense sem sofrer sustos. E ele foi atingido.

FELIPO
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

O time acumulou 16 finalizações, com oito em direção ao gol e três mexidas no placar. O equilíbrio foi fundamental para ser a noite mais eficiente do ano. Na derrota para o Corinthians por 1 a 0, por exemplo, o Palmeiras finalizou 25 vezes, mas só acertou o gol em uma dessas tentativas. Finalizou mais, claro, porém sem qualidade e eficiência.

Na outra partida em que também acertou oito vezes o gol, balançou as redes as mesmas três vezes, mas sofreu muito mais do que gostaria defensivamente. Foi contra o Ituano, único adversário a marcar dois gols no Palmeiras nesse ano, e terceiro que mais incomodou a defesa alviverde em chutes a gol, somando 13 ao fim da partida (um a menos do que Junior Barranquilla e Red Bull). O Melgar, porém só concluiu seis jogadas em todo o duelo.

O time que entrou em campo na noite da última terça-feira caminha para ser a linha titular de Luiz Felipe Scolari. Diferente da estreia na Libertadores diante do Junior Barranquilla, apenas Deyverson substituindo Borja. Dificilmente os quatro homens de frente perderão posição (Dudu, Scarpa, Goulart e Deyverson), enquanto o Antônio Carlos deve deixar a equipe para a entrada de Luan, quando estiver recuperado. Os laterais podem variar de acordo com o adversário, mas a chamada base titular inicial parece já estar definida para 2019.

Em 10 rodadas, Palmeiras só acertou mais o gol do Mirassol do que Novorizontino

BORJA
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

“Se eu soubesse, eu teria já sanado o problema”, respondeu o técnico Luiz Felipe Scolari ao questionamento sobre qual o motivo da dificuldade alviverde em balançar as redes no Paulistão no último sábado. Contra o Mirassol, o time entrou em campo mais uma vez com muitas modificações em relação ao jogo anterior e marcou de pênalti o 11º gol do time na 10ª rodada da competição estadual. O que mais incomodou o torcedor foi a impressão de ter visto pouco trabalho do goleiro adversário, o que se comprovou nos números.

Nos 10 jogos do Mirassol, que luta contra o rebaixamento na competição, apenas o Novorizontino acertou menos vezes o gol da equipe do Estádio José Maria de Campos Maia do que o Palmeiras. No empate pelo placar de 0 a 0, na 3ª rodada, o time de Novo Horizonte exigiu duas defesas do goleiro mirassolense, enquanto os comandados de Felipão, na 10ª rodada, concluíram somente três vezes a gol, com mais dez tentativas fora do alvo.

Santos e São Paulo, dois grandes que enfrentaram o Mirassol, tiveram um desempenho ofensivo significativamente melhor do que o Palmeiras. O Tricolor finalizou 16 vezes, acertando o alvo em sete oportunidades na vitória por 4 a 1, enquanto o Santos finalizou 21 vezes, acertando seis bolas no alvo na vitória por 1 a 0. Vale como curiosidade pontuar que o Mirassol finalizou apenas uma vez contra o São Paulo e duas vezes contra o Santos, enquanto conseguiu concluir oito vezes no jogo contra o Palmeiras.

O Palmeiras entrou em campo 11 vezes no ano de 2019. Com diversas modificações na escalação a cada partida, Felipão tem promovido um rodízio para girar o elenco e preparar fisicamente os atletas para uma temporada que pode alcançar cerca de 80 jogos. No Paulistão, a equipe alviverde tem o 7º melhor ataque entre 16 clubes.

CONFIRA O NÚMERO DE CONCLUSÕES A GOL DE CADA EQUIPE CONTRA O MIRASSOL NESSE CAMPEONATO PAULISTA 2019:

Mirassol 1 x 1 Palmeiras
13 finalizações do Palmeiras – 3 certas

São Caetano 2 x 0 Mirassol
13 finalizações do São Caetano – 5 certas

Mirassol 2 x 1 São Bento
12 finalizações do São Bento – 3 certas

Ituano 2 x 0 Mirassol
13 finalizações do Ituano – 6 certas

Santos 1 x 0 Mirassol
21 finalizações do Santos – 6 certas

Mirassol 2 x 2 Guarani
6 finalizações do Guarani – 3 certas

Ponte Preta 3 x 0 Mirassol
11 finalizações da Ponte Preta – 3 certas

Mirassol 0 x 0 Novorizontino
5 finalizações do Novorizontino – 2 certas

Mirassol 1 x 0 Red Bull
9 finalizações do Red Bull – 4 certas

São Paulo 4 x 1 Mirassol
16 finalizações do São Paulo – 7 certas

O que Zé Rafael mostrou contra o Mirassol?

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Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Como eu inicio o vídeo da análise com os lances, iniciarei o texto também: Zé Rafael tem sido frequentemente assunto dos torcedores palmeirenses (desde os bares até as redes sociais) por não ter participado apenas uma vez desse rodízio inicial do técnico Felipão. Por isso prestei atenção em sua atuação no empate do Palmeiras contra o Mirassol e separei os lances que julguei representarem um pouco de suas características.

Zé Rafael é um meia-atacante que gosta de ver a bola girar. Embora ele se apresente bastante para o jogo, ele não é um jogador que vai segurar a bola para si. Além disso, Zé Rafael mostrou interessante agilidade para roubar bolas no seu setor, o que pode gerar bons contra-ataques, principalmente pela sua característica de soltar rapidamente a bola, como é possível ver no vídeo.

Apesar de ter me parecido bem na sua função, é preciso lembrar que Zé Rafael não foi decisivo na partida. Ele pode melhorar seus números como coajuvante se atuar ao lado de atletas mais decisivos do que Borja e Felipe Pires, por exemplo, que mais uma vez deixaram a desejar. Para chegar a uma conclusão de quanto Zé Rafael pode ajudar o Palmeiras de Felipão e se ele será coadjuvante ou protagonista, é preciso vê-lo mais em campo.

Palmeiras venceu Junior com estratégia pouco utilizada pelo último campeão da Libertadores

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Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

O Palmeiras estreou na Copa Libertadores da América vencendo o Junior Barranquilla, da Colômbia, por 2 a 0. Porém, o controle da bola por parte do Barranquilla durante praticamente 80% da partida incomodou o torcedor palmeirense, que espera um Palmeiras se impondo mais sobre o adversário. Na entrevista coletiva, Felipão garantiu que a estratégia foi cumprida com sucesso para a partida. E ele tem razão. Porém, para a Copa, o campeão do último ano mostrou que talvez seja preciso mostrar mais.

Nos primeiros 20 minutos, enquanto se impôs, jogou no campo de ataque e marcou seu primeiro gol, chegou a obter média superior a 68% de posse de bola. Em seguida, optou por correr riscos (aparentemente esperados) para tentar o gol em uma bola longa, no contragolpe. Ao fim do jogo, o Palmeiras acumulou média de 37% de posse de bola com seis finalizações a gol. Em 2018, o campeão River Plate teve números muito parecidos em um dos 14 jogos da campanha do título, no empate contra o Racing, fora de casa, quando obteve a mesma porcentagem de posse de bola e chutou apenas quatro vezes a gol.

Embora haja essa similaridade, o jogo parece ter sido um ponto fora da curva da equipe argentina. A média de posse de bola do River Plate na competição foi de 53%, enquanto apenas em jogos fora de casa a média fica em 47% da posse. Sobre chutes a gol, a equipe teve média de 10 finalizações por partida na competição, enquanto apenas em jogos fora de casa foi superior a oito finalizações.

Luiz Felipe Scolari é um grande estrategista e tem retrospecto gigante na disputa da Copa Libertadores da América, chegando a três finais em seis campanhas. Não há dúvidas de que vai pensar jogo a jogo o que fazer para conquistar seu objetivo, mas os números apresentados na estreia precisam ser melhores para, ao menos, seguirem a tendência do último time campeão da América.

CONFIRA OS NÚMEROS DE POSSE DE BOLA E FINALIZAÇÕES DO RIVER PLATE NA CAMPANHA DO TÍTULO DA LIBERTADORES DA AMÉRICA EM 2018:

1ª rodada: Flamengo 2 x 2 River Plate: 45% de posse de bola contra o Flamengo = 9 chutes a gol

2ª rodada: River Plate 0 x 0 Santa Fé: 71% de posse de bola = 10 chutes a gol

3ª rodada: Emelec 0 x 1 River Plate: 47% de posse de bola = 7 chutes a gol

4ª rodada: River Plate 2 x 1 Emelec: 61% de posse de bola = 13 chutes a gol

5ª rodada: Santa Fé 0 x 1 River Plate: 41% de posse de bola = 6 chutes a gol

6ª rodada: River Plate 0 x 0 Flamengo: 65% de posse de bola = 13 chutes a gol 

Oitavas:

Ida: Racing 0 x 0 River Plate: 37% de posse de bola = 4 chutes a gol

Volta: River Plate 3 x 0 Racing: 27% de posse de bola = 11 chutes a gol

Quartas

Ida: Independiente 0 x 0 River Plate: 44% de posse de bola = 12 chutes a gol

Volta: River Plate 3 x 1 Independiente: 53% de posse de bola = 15 chutes a gol

Semi

Ida: River Plate 0 x 1 Grêmio: 67% de posse de bola = 8 chutes a gol

Volta: Grêmio 1 x 2 River Plate: 68% de posse de bola = 10 chutes a gol

Final:

Ida: Boca Juniors 2 x 2 River Plate: 48% de posse de bola = 11 chutes a gol

Volta: River Plate 3 x 1 Boca Juniors: 66% de posse de bola = 15 chutes a gol

 

O (mau) funcionamento do ataque de um São Paulo com 3 zagueiros

Nessa análise, separei alguns lances para exemplificar de forma rápida como funciona o ataque de um São Paulo jogando com três zagueiros. Como você viu no vídeo, os laterais têm liberdade para subir e há mais homens atacando. Porém, é preciso tomar decisões corretas, rápidas e ser criativo para que os gols saiam, detalhes que o São Paulo não acertou contra o Bragantino.

Mesmo que esteja com seis homens atacando, tendo os laterais dando bastante amplitude ao lance (significa ter atacantes abertos pelas pontas quase pisando na lateral) e opções de passe pelo meio, é preciso tomar decisões certas para que o esquema funcione. Os dois gols do Tricolor, aliás, não saíram por conta da mudança de esquema na segunda etapa. Confira no vídeo a análise 🙂

Carlos Eduardo vive crise técnica e gera desconfiança no torcedor do Palmeiras

O torcedor do Palmeiras gostou do que viu de Carlos Eduardo no Anacleto Campanella, contra o São Caetano. Mas as atuações ruins contra Corinthians e Ferroviária já estão fazendo a torcida perder a paciência com o jovem atacante. Em Araraquara, o camisa 37 mostrou vontade de participar do jogo, eliminando a ideia de que estava se retraindo pelas críticas. Entretanto, se não parece haver uma crise de desconfiança, que faria o jogador se esconder, há uma crise técnica em andamento.

Carlos Eduardo até conseguiu em alguns momentos apresentar o que chamou a atenção de Felipão em seu futebol: o mano a mano. De um modo geral, quando ele parte pra cima, obtém sucesso, mas quando tenta outro tipo de jogada, a tentativa quase sempre é frustrada. Finalizações, domínios e cruzamentos são fundamentos ainda distantes do ideal em seu futebol, o que assusta o torcedor. Para entender e visualizar melhor a fraca atuação do atacante contra a Ferroviária, confira o vídeo que produzi abaixo.

Lucas Lima cria tão pouco quanto participa e reduz dinâmica do Palmeiras contra Ferroviária

CAPA LUCAS LIMA
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Como escrevi aqui após a vitória do Palmeiras sobre o Bragantino, Gustavo Scarpa deu muita dinâmica ao meio-campo do Palmeiras e permitiu que a equipe pudesse fugir do vício envolvendo o jogo pelas pontas. Diante de sua lesão, Lucas Lima apareceu como a opção para levar essa evolução do time, mas contra a Ferroviária não obteve sucesso.

Lucas Lima tem como característica a jogada de bola enfiada entre as linhas da zaga no ponto futuro do atacante, para que ele receba já de frente para o gol, em condições de finalizar. Durante 45 minutos, essa jogada surgiu três vezes e poderia até ter resultado em gol, mas não aconteceu. O problema é que Lucas aprensentou apenas isso de grande relevância durante todo o jogo, bem diferente de Scarpa. Além disso, em alguns momentos deixou buracos no meio, entrando na última linha de ataque.

Produzi, então, uma análise mostrando esses lances característicos do meia e os erros que ele cometeu em lances teoricamente mais fáceis. Além disso, claro, trouxe uma jogada para exemplificar o buraco na intermediária ofensiva em dois momentos muito próximos. Confira!

Ainda fora de ritmo, Ricardo Goulart tem estreia tímida, mas com promessa de boas características em campo

RICARDO GOULART
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

O torcedor palmeirense espera muito do meia-atacante Ricardo Goulart. Versátil, também pode ser chamado de ponta e, algumas vezes, de centroavante. Em sua estreia, contra a Ferroviária, o camisa 11 não foi tão veloz quanto habitual, (fato compreensível já que está retornando de uma artroscopia no joelho), mas mostrou estar pronto para se deslocar pelo intermediária ofensiva por onde for preciso.

Ele não pegou tanto na bola, mas quando participou de lances de destaque, apareceu em lugares diferentes do campo e tomou decisões variadas, o que já é indício das boas alternativas que ele pode dar ao time de Luiz Felipe Scolari. Apareceu tanto pela esquerda, quanto pelo meio e também com razoável queda para a direita, mas acompanhando a partida, pareceu claro que prefere receber a bola bem no centro da intermediária. Confira a análise da breve atuação de Goulart e o que ele pode oferecer ao Palmeiras!